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Bebés com vontade de viver

Saiba os perigos da prematuridade

Um bebé prematuro é aquele que nasce antes das 37 semanas. Há diferentes graus de prematuridade, da idade gestacional (número de semanas de gestação) que o bebé tem. Há grandes prematuros e outros bebés que não nasceram assim tão precocemente. É essencial estar preparada para esta eventualidade e saber como lidar com a situação. “É diferente ter nascido antes das 28 semanas ou nascer entre as 28 e as 32 e ter nascido entre as 32 e as 36.

O grau de risco, de imaturidade e da necessidade de cuidados especiais é diferente”, explica Teresa Tomé, neonatologista e Presidente da Secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP). Os bebés internados nas unidades de cuidados intensivos ou nas unidades de cuidados intermédios (unidades que dão apoio especializado a estes bebés) beneficiam da presença dos seus pais, durante o internamento. “É verdade que o apoio dos pais é fundamental porque promove a estimulação do bebé. São eles os grandes prestadores de cuidados por excelência”, adianta a neonatologista.

Assim, logo que o bebé permita e tenha condições clínicas para isso, os pais podem intervir nos seus cuidados. “As unidades permitem a presença dos pais por tempo ilimitado. Normalmente, as pessoas não permanecem durante a noite porque não é humanamente viável que estejam consequentemente sem descansar”, diz-nos Teresa Tomé. De um modo geral, estas unidades não têm alojamento para os pais.
No entanto, podem continuar o tempo que quiserem. A prematuridade é sempre um risco acrescido de morte no período pós-natal. “No entanto, temos uma mortalidade neonatal nacional de 3,5 por 1000. A taxa de sobrevivência vai reduzindo quando a idade estacional é baixa. Quando mais cedo nascerem, menor a taxa de sobrevivência”, explica a neonatologista.

Causas de prematuridade

A prematuridade tem múltiplas causas e muitas delas ainda são desconhecidas. “Claro que, muitas vezes, a mesma é decidida a nível médico. Pode haver uma situação de doença que leva em a que a placenta não funcione ou uma situação de gémeos em que há compromisso da vascularização dos bebés”, indica Teresa Tomé. Nesses casos, mesmo com risco de prematuridade, pode ser decidido clinicamente antecipar o parto. “Há outras em que a prematuridade ocorre de forma espontânea e a mulher entra em trabalho de parto, sem sabermos o motivo. Há quem fale no stress e em múltiplas causas”.
Sabe-se ainda que a infecção pode ser uma causa da prematuridade. “Ainda há muito de desconhecido sobre este problema. Sabemos que, se a gravidez for melhor vigiada e controlada, e as mulheres evitarem a vida agitada e o exercício físico violento, estão a contribuir com medidas de prevenção para não virem a ter filhos prematuros”.

Nascimento precoce, cuidados redobrados


Com o nascimento antes do tempo, os pais devem adaptar-se a esta nova realidade e ter pensamento positivo! Têm de se convencer que são essenciais para o crescimento do bebé e podem ser decisivos no seu desenvolvimento. “Aconselha-se que os pais treinem a alimentação e aproveitem a sua presença nas unidades para acariciar os seus filhos. Os estímulos afectivos são fundamentais para a maturação do sistema nervoso”, esclarece a Presidente da secção de neonatologia da SPP. A interacção funciona ainda como um reforço positivo para os pais que passam por um período de crise e de stress parental após o nascimento prematuro. “A intervenção nas unidades pertence aos pais em parceria com os técnicos de saúde”.

Quando os bebés se encontram em pré-saída, ou seja, quando estão quase a sair das unidades para finalmente irem para casa, os técnicos e as equipas médicas começam a treinar os pais para este processo de transição. “É assim que os pais podem ganhar maior confiança. As pessoas têm a ideia de que os bebés estão mais protegidos e têm uma monitorização que não lhes podem dar em casa. Nas suas casas, não existe uma pequena unidade de cuidados intensivos, o que gera alguma ansiedade aos pais nesta fase”, indica Teresa Tomé. É então muito importante que os pais ganhem confiança na decisão da alta. Sempre que necessário, têm acompanhamento psicológico nos hospitais onde as crianças são seguidas, como acontece, por exemplo, na Maternidade Dr. Alfredo da Costa.

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